A VINGANÇA
Que a paz do cristo se faça entre todos vocês. Obrigado pelo carinho e amor com que me receberam. Sei que não sou merecedor. Há bem pouco tempo, o ódio e o rancor transbordavam de fel meu coração. Não queria ouvir nada que aos meus ouvidos soasse que não fosse à palavra VINGANÇA. Sentia-me injustiçado e que se Deus realmente existia, por que havia permitido tamanha atrocidade? Eu, minha mulher e 3 filhos pequenos, vivíamos humildemente na periferia de uma grande metrópole. Eu era pedreiro e sempre procurei cumprir minhas tarefas da melhor maneira possível, para que, no fim da quinzena, pudesse levar para casa o sustento da família. Meu nome era José João da Silva e sempre fui honesto. Um dia, estando reunidos em torno da mesa, acabávamos a oração de agradecimento pelo alimento que íamos comer, quando a porta foi posta a baixo violentamente e homens encapuzados e muito armados, entraram procurando o João da Silva, que havia sumido com uma quantia grande de droga. O chefe ordenou: ou a droga ou o dinheiro! Quase sem conseguir falar, tentava dizer que eu era o José João da Silva e não o João a que eles procuravam e, que não sabia de droga alguma! Eu chorava e implorava, mas , foi em vão. Diante de minha negativa, abateram minha companheira, depois, um a um dos meus filhinhos. Até que por fim, deram fim a minha vida aos poucos, lentamente. Quando me senti flutuar, vi a cena e ainda ouvi quando disseram que havia sido um engano. E as vidas ceifadas? Vaguei sozinho por um bom tempo, me cheguei à gangues, oferecendo meus serviços para que me ajudassem na vingança.
O tempo passou. Um dia , um homem se achegou e procurou conversar comigo, deixando-me contar minha história. De que vale a vingança? Ele me disse. Onde estão seus entes queridos, você não gostaria de vê-los? De estar com eles? Nesse momento, eu os vi, lindos como anjos, juntos, num jardim florido. E você, ele perguntou, não quer estar com eles? Procure deixar essa vida e siga comigo, rumo àquela luz, disse ele, enquanto apontava uma pequena claridade ao longe. Cansado de sofrer, segui confiante. Fui levado para um lugar, onde fui tratado. Levou tempo, mas eu melhorei e a paz e a tranqüilidade habitavam meu coração. Já passeava pelos jardins, quando recebi a visita dos meus entes queridos. Como estavam lindos! E como eu os amava! Essa visita foi como um bálsamo e procurei me aprimorar, cada vez mais. Mas, uma pergunta insistia em não sair de minha cabeça. Por que aquilo tudo tinha acontecido conosco? Um dia, me foi permitido saber: juntos havíamos pertencido à uma tropa de bárbaros.
Roubávamos e matávamos sem nos apiedarmos. Sabíamos o que estávamos fazendo e era só pelos bens materiais. A vida humana era, naquela época, tão sem importância para nós, como um inseto esmagado com os pés. A Lei de Causa e Efeito não deixa ninguém impune. Hoje, vejo a vida como ela deve ser. Somos todos irmãos em Cristo. O bem deve imperar sobre o mal e o menor de seus servos, um dia, também será igualmente grande. Nossa meta é a ascensão e o progresso. Depende de nós se caminhamos mais lentamente ou não. Mas, um dia, estaremos juntos, irmanados pelas glórias de Deus. Aquele tempo ruim, não mais existe. Agora é lutar com as armas brancas do amor e pedir ao Pai, por, aqueles que ainda vivem na grande escuridão. Que o Senhor abençoe essa Casa de Luz e Amor.
Psicografado no GETAL – Santos / SP em 04/08/2005
Escrito por Thiago Raphael às 15h32
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